Foi com esta frase que João Lourenço encerrou a sua intervenção na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Uma frase forte, sobretudo num momento em que o sistema internacional atravessa uma das suas fases mais complexas desde o fim da Guerra Fria.
Mas, terminado o discurso, começa a pergunta verdadeiramente importante: o que Angola fará com a posição que acabou de apresentar ao mundo?
A intervenção presidencial teve uma linha clara. Angola apresentou-se como defensora do multilateralismo, do Direito Internacional, da resolução pacífica dos conflitos e de uma maior participação africana na governação mundial.
Não foi apenas um discurso sobre Angola. Foi também um discurso sobre o tipo de ordem internacional que Luanda entende ser necessário construir.
O Presidente criticou a prevalência da força sobre o Direito, manifestou preocupação com os conflitos na Europa, no Médio Oriente, no Golfo Pérsico e em África, e alertou para os riscos de uma escalada internacional.
Mas talvez o elemento mais estratégico tenha sido a defesa de uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Angola reafirmou o apoio ao Consenso de Ezulwini e à Declaração de Sirte, defendendo uma representação africana adequada no órgão responsável pelas principais decisões internacionais em matéria de paz e segurança.
Aqui está uma questão que ultrapassa Angola.
África quer continuar a ser apenas espaço onde as grandes potências disputam influência ou pretende tornar-se efectivamente um dos centros de decisão da ordem internacional?
João Lourenço respondeu claramente pela segunda opção.
E essa posição é coerente com uma política externa angolana que procura aumentar a sua presença nos processos de mediação e resolução de conflitos no continente.
Mas há outra dimensão que merece atenção.
O discurso não ficou limitado à segurança.
João Lourenço relacionou paz e desenvolvimento com questões como dívida, financiamento, transferência de tecnologia, alterações climáticas, segurança alimentar, energia e inteligência artificial.
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